Mostra Virtual "A Arte do Contestado"

CENTÉSIMO OITAVO ANO DO CONTESTADO

Mapa oficial do Estado de Santa Catarina incluindo toda à área contestada

- RECORTES HISTÓRICOS -

1854 - A indefinição de limites entre Paraná, São Paulo e Santa Catarina, considerada grave e inconveniente a época, foi um dos fatores preponderantes para o surgimento da questão do Contestado, conhecida como região disputada por Paraná e Santa Catarina.

1900 - O governo de Santa Catarina judicialmente prepara uma Memória Histórica Jurídica subscrita pelo conselheiro Manuel da Silva Mafra para o Supremo Tribunal Federal, como recurso, reivindicando a posse da área situada ao sul dos rios Saí-Guaçu, Negro e Iguaçu.

1904 - O Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa ao estado de Santa Catarina.

1909 - Após recurso do estado do Paraná realizada por Rui Barbosa e defesa catarinense realizada pelo Dr. Epitácio da Silva Pessoa, futuro presidente do Brasil, o Supremo Tribunal Federal confirmou a decisão para o Estado de Santa Catarina. 

1910 - O Supremo Tribunal Federal ratificou novamente seu julgamento. Mas, não foi possível por fim a questão através da demarcação dos limites entre os estados litigantes.

1911 - uma poderosa madeireira - a Southern Brazil Lumber and colonizations campany - estabeleceu-se na zona contestada para extração das madeiras e a promoção da colonização das terras localizadas dentro da parte que lhe fora concebida. Pertencente ao grupo Brazil Railway, construtora da ferrovia que já havia garantido em seu contrato, o direito de posse das terras situadas a 15 quilômetros de cada um dos trilhos assentados entre Paraná e Rio Grande do Sul. Com o termino da ferrovia deixou um saldo de 8 mil desempregados vagando pela região.

1912 - Santa Catarina e Paraná aguardavam o cumprimento das decisões do Supremo Tribunal Federal, quando surgiu na região do planalto catarinense e paranaense um monge italiano, João Maria de Agostini, pregando um catolicismo rudimentar, mas, capaz de conseguir a confiança e despertar a veneração a sua pessoa e a atribuição de milagres, até desaparecer em suas andanças e, segundo a lenda, ressurgir. Outros o sucederam até que no município de Campos Novos surge Miguel Lucena de Boaventura, que se dizia João Maria dos Santos Agostinho, curandeiro, profeta, defensor da restauração da monarquia, que se dizia primo do antigo monge.

Em Taquaruçu, no município de Curitibanos, o monge João Maria dos Santos Agostinho reuniu grande numero de seguidores, gente expulsa das terras, desempregados da construção da ferrovia, e os de boa Fé que o aceitavam como legitimo sucessor de São João Maria. Esse movimento aglutinador preocupava os fazendeiros e autoridades locais, que convenceram o monge e seus seguidores a deixar o local. Abandonando Taquaraçu, atravessaram o rio do Peixe e passaram para zona do contestado (em litígio) que estava sob a jurisdição do estado do Paraná - os campos do Irani. Esse movimento provocou os paranaenses que consideraram uma manobra catarinense para garantir o território, sendo ordenada imediata expulsão do bando que acampara no Irani. Em batalha cruenta de 22 de outubro de 1912, os soldados investiram sobre o acampamento dos rebeldes, restando mortos o monge João Maria e o coronel João Gualberto de Sá Filho. Os rebeldes retornaram para a região de Campos Novos, conseguindo a adesão de novas levas sertanejas.

1914 - Os rebeldes foram derrotados em Taquaruçu, mas vitoriosos em Caraguatá. Seguiam em sua jornada atacando Canoinhas, Papanduva, Itaiópolis, Calmon, estação ferrovia São João e a vila de Curitibanos, inclusive incendiando esta ultima.

1915 - A Resistência dos rebeldes concentrada em Santa Maria cai em abril de 1915. Os rebeldes da cidade santa de São Pedro são capturados pela Força Policial de Santa Catarina em dezembro daquele ano.

1916 - Adeodato Manuel de Ramos, que fugira em 1915, acabou sendo preso, sem resistência, em agosto de 1916. Vencida a etapa contra os rebeldes, o Governo se volta para a tentativa de Acordo dos limites entre Paraná e Santa Catarina.

Após vários estudos e discussões entre Dr. Afonso Alves de Camargo (Paraná) e Coronel Filipe Schmidt (Santa Catarina) intermediado pelo Presidente da República, Dr. Venceslau Brás Pereira Gomes - tomaram por termo o Acordo relativo à questão de limites em 20 de outubro de 1916. Da área total disputada, estimada em 47.820 km² (com a inclusão de Palmas), o Estado do Paraná ficou com 20.310 km² e Santa Catarina com 27.510 km² que deram lugar a quatro municípios: Mafra, Cruzeiro (hoje Joaçaba), Porto União e Chapecó.

Documento original de assinatura do acordo de limites.

O historiador Nilson Thomé, classifica sabiamente como “um movimento messiânico de grandes proporções, uma luta pelos direitos humanos, uma disputa pela posse de terras, uma questão de limites interestaduais, e uma competição econômica pela exploração das riquezas naturais” (THOMÉ, 1986).

A ambiência cultural do Contestado forjada pelas deficiências econômicas e sociais, analfabetismo, ignorância, ausência do Estado e da Justiça levou o homem do contestado ao compadrio, valores morais próprios, misticismo e a luta direta para garantir uma existência melhor. 

A Universidade do Contestado com campi nos municípios de compõe a região do Contestado vem procurando resgatar as questões históricas que envolveram a Guerra do Contestado como forma de evidenciar a história de Santa Catarina e do Brasil.

Clique aqui e conheça a Mostra Virtual “A Arte do Contestado” da artista plástica Déa Catharina Reichmann de Curitiba, PR, ganhadora de 11 prêmios nacionais de arte e cultura e apresentada em mais de 53 exposições.

Solange Sprandel da Silva

Reitora UnC

Bibliografia

CABRAL, Osvaldo Rodrigues. João Maria. Interpretação da Campanha do Contestado. Coleção Brasiliana. Editora Nacional. v. 310. São Paulo, 1960.

CONTESTADO. Brasília: Senado Federal. Fundação Roberto Marinho. v. 270. Rio de Janeiro, 2019

THOMÉ, Nilson. Aviação Militar no Contestado. FEARPE - Museu Histórico e Antropológico da Região do Contestado. 2ª Ed. Caçador, 1986.

_______. Civilizações Primitivas do Contestado. Editora Universal. Caçador, 1981.